Carta de Brasília aprovada no 25º ENEJor

CARTA DE BRASÍLIA
Professores e professoras de jornalismo, reunidos durante o 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), realizado entre os dias 22 e 24 de abril de 2026, na Universidade de Brasília, debateram questões relacionadas à qualidade da formação na área. As conferências e mesas de debates realizados durante o evento indicam a preocupação com uma formação voltada para a compreensão sobre o papel do jornalismo na cobertura das crises climáticas, na produção que inclua questões sociais, étnicas e indígenas a partir da percepção sobre o papel do jornalismo no combate à desinformação, na pluralidade de vozes, na defesa da democracia e dos direitos humanos.
Nesse sentido, os cursos de jornalismo têm um papel fundamental que inclui uma posição protagonista de professores e professoras, compreendendo a importância do ensino, da pesquisa e da extensão na graduação. Sabendo também das limitações estruturais, financeiras e políticas que dificultam o trabalho que esteja conectado com estes objetivos, entende-se que os/as professores/as são os/as principais atores no processo.
A defesa da especificidade do jornalismo, da compreensão da sua autonomia como campo acadêmico e profissional, pela aprovação da PEC do Diploma de Jornalismo, enfim, pelo ensino de jornalismo de qualidade, são ações imprescindíveis que devem ser permanentes.
Também preocupam os/as participantes o projeto de lei do profissional multimídia, que pode abrir possibilidades para a contratação de pessoas formadas em outras áreas de exercerem atividades jornalísticas. A proposta representa mais um item no já fragilizado mercado profissional do jornalismo.
Por fim, os/as participantes do 25º ENEJor também demostram preocupação com os processos de avaliação in loco dos cursos, considerando o novo instrumento de avaliação de cursos do INEP. O documento da área em que está Jornalismo demonstra uma grande contradição ao considerar como próximos os cursos a partir da classificação da Cine Brasil. As avaliações multidisciplinares, a partir destes critérios, pode gerar avaliações problemáticas que não ajudarão efetivamente a qualificar os cursos, sem que isso resulte em melhorias efetivas a partir das especificidades da formação em Jornalismo.
O avanço nas questões indicadas exige estratégias que envolvem os professores em atividades coletivas, a partir da compreensão da importância da ABEJ, da sua história e da sua representatividade. A ampliação do quadro de associados, bem como a participação nas atividades como os encontros regionais e nacional e publicações como a REBEJ, nas reuniões de coordenadores/as de cursos, na relação com outras entidades, nas premiações como o Prêmio ABEJ e o Prêmio Cremilda Medina e em campanhas é fundamental para esta construção.
Brasília, 24 de abril de 2026.
Aprovada durante Assembleia Ordinária



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